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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O que transparece em mim é o que cultivo internamente

Ontem fiquei surpresa com a fala de um conhecido que encontrei na rua: "Eu admiro essa sua alegria, apesar das dores."
Ele saiu de perto e eu fiquei pensando: "Minhas dores..."
De que dores ele estava falando? E fiquei matutando comigo mesma, tentando entender por que uma pessoa que quase não vejo conhece minhas dores e eu nem me recordo de quais são.
Eu vivo para olhar para frente, sem remoer vivências sofridas ou traumáticas, não cultivo mágoas ou alimento tristezas. O que vivi de ruim serviu como experiências para que não se repitam, para que sejam exemplos a não serem seguidos ou lembranças que ficaram no passado.
Apesar das dores... Que dores, meu Deus?
Trago este sorriso no rosto inteiro, não porque minha vida sempre foi um mar de rosas, mas porque escolhi ser assim e espalhar por aí energias boas e vibrações positivas para que contagiem todos e todas que estiverem a fim de recebê-las de bom grado.
Gosto de sorrisos abertos e abraços apertados, de pessoas que olham nos olhos e apertam as mãos num cumprimento caloroso.
Se tenho (ou já tive) dores, deixo-as de lado; para que propagar dores se tenho muitos amores a serem espalhados?

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Magia da Lua

A lua inteira me basta
Olho para ela, no alto, sublime e total
O inebriante esplendor de sua luz
Que nos pausa e aquieta, adormece pensamentos
Lua intensa, magna, tão cheia de si
E eu, cheia de mim, inspiro-me aos encantos dela
Lua linda, suave e envolvente
Conduz meu sorriso, alivia meus sonhos
Faz-me tão leve quanto desejo sempre ser
No aconchego de sua luz, adormeço serena.


Foto: Paulo Roberto Malta

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Visões


Nosso olhar é mágico quando acostumamos a enxergar com atenção tudo ao nosso redor.
Quando viajamos, tendemos a prestar mais atenção a cenas e locais diferentes da nossa rotina e valorizamos cada momento. Alguns ficam registrados em nossa memória para sempre.
Nessa última viagem, às Dunas de Itaúnas, ES, ficou marcado o pôr-do-sol maravilhoso e abençoado. Não só a visão do sol se pondo, mas a interessante cena de ver várias pessoas que sobem as dunas apenas para viver esse momento, na maioria, jovens, alegres, vibrantes.
A minha amiguinha que me acompanhava me deu uma linda lição do que significava tudo aquilo. Clicou o quanto pode o instante, mas a bateria do celular foi embora, e seu pai ficou dizendo a ela para tentar ligar de novo o celular, para ela não perder esse momento tão mágico. Ela disse apenas: “Pai, eu não preciso registrar, eu estou vivendo este instante, o mais importante é isso!”
Viver o instante, com intensidade, é o mais importante.
As visões que se apresentam a nós a todo instante devem ser sentidas para serem percebidas.
Durante uma breve visita a Paris, o que ficou grudado na minha retina foi a visão da Torre Eiffel à noite. As lágrimas descendo e eu não acreditando que estava vendo aquela preciosidade. É simplesmente fantástico!
Quando trabalhava de manhã cedinho, gostava de tomar café na janela da minha área de serviço para ver o nascer do sol e as várias nuances de cores da manhã que se anunciava. Não preciso ir longe para ter visões espetaculares.
Da minha janela também, posso vislumbrar a lua cheia se agigantando no céu, partindo da mata vizinha do meu bairro. Ela fica maravilhosa no início, amarelada, enorme, lindíssima, de nos deixar boquiabertos.
Uma vez, uma amiga que viaja muito me disse que, quando estamos em uma cidade e vemos uma árvore florida, logo queremos fotografar, registrar, e dizer a todos como é lindo o lugar que visitamos. E aí, quando chega em casa, vê que há uma daquelas árvores, repleta de flores também, perto de onde mora. Por que será que se valoriza mais o de longe? Ela mesma disse.
É preciso ver com intensidade, cuidado, atenção, para perceber o valor de cada coisa, cada gesto, cada olhar, cada lugar...
As visões que ficam presas em nossas memórias têm algo de sentimento, algo de intenso, algo de querer reter para sempre aquilo.
Tenho em minha mente muitas visões, a maioria delas não foi registrada por câmeras, mas está tudo registrado nas minhas memórias afetivas: os sorrisos de meus filhos, a alegria de minha neta, as gargalhadas de meus pais, o choro emocionado que escorre no silêncio, o brinde com os amigos, o abraço no momento certo... É preciso saber ver para valorizar cada momento.

terça-feira, 15 de setembro de 2015



Um amor, uma flor, carinho de sobra
A manhã fica mais linda, mais leve
Amigos, sorrisos, bênçãos
Luz e paz
Alegria e fé
Desejos diários de felicidade.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

A lua que me dei

Não era uma noite qualquer...
Não era uma lua qualquer...
Era A lua!
Aquela lua cheia, brilhante, resplandecente!
A minha lua!
Já me disse que sou de fases, como Cecília,
Cada momento, tão especial,
Cada dia, uma novidade, mesmo inventada.
Minha lua estava lá
E olhava pra mim, sorria pra mim...
E eu sentia cada cratera, cada sombra, cada magia...
A lua que me dei era assim
Iluminada, iluminando,
Séria, sóbria, densa,
Clara, forte,
Pura magia, no silêncio da noite!Não era uma noite qualquer...
Não era uma lua qualquer...
Era A lua!
Aquela lua cheia, brilhante, resplandecente!
A minha lua!
Já me disse que sou de fases, como Cecília,
Cada momento, tão especial,
Cada dia, uma novidade, mesmo inventada.
Minha lua estava lá
E olhava pra mim, sorria pra mim...
E eu sentia cada cratera, cada sombra, cada magia...
A lua que me dei era assim
Iluminada, iluminando,
Séria, sóbria, densa,
Clara, forte,
Pura magia, no silêncio da noite!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Histórias e olhares



Quando fui convidada para visitar e contar histórias no Centro Socioeducativo de Menores Infratores de Ipatinga, confesso, fiquei receosa. O que será que encontraria lá? Como seriam os olhares dirigidos a mim? Quais seriam os perfis daqueles garotos? Eu teria que temer algo?
Eram muitas questões sem respostas. Apenas a fala e as sensações da minha companheira que foi na frente, antes de nós, contar histórias para aqueles meninos e tentar encantá-los.
O que ela nos disse foi que chegou em casa, meteu-se sob as cobertas e ficou paradinha, quietinha, sem saber o que estava sentindo ou pensando sobre aquela experiência tão nova em sua vida já vivida de tantos acontecimentos variados.
Pois bem! Encarei o desafio e preparei-me para contar uma história divertida, que os faria rir um pouco, apesar dos pesares, apesar do lugar, apesar de tudo! Escolhi uma história do Pedro Malasartes, personagem anti-herói do nosso folclore. Fiquei insegura, pois queria ser fiel à história, sem mudar palavra alguma. O problema é que a história é toda contada em versos rimados!
No dia, passei a manhã falando, andando de um lado para o outro pela sala, toda a história, olhando diversas vezes para o papel para conseguir decorar tudinho, certinho!
Chegou a hora. Pus minha roupa de palhaço. Fiz a maquiagem característica. Estava pronta, esperando minha colega de aventura. Ela chegou, também vestida de palhaço. Respirei fundo e entrei no carro. Fomos com a ansiedade de primeira vez.
Chegamos e, logo depois, nossos outros dois companheiros também chegaram, um contador de histórias e uma escritora. Os dois, nossos amigos.
A sala já estava preparada com cadeiras (para os agentes socioeducativos). Espalhamos toalhas, quatro, no chão e despejamos dezenas de livros sobre elas. Preparamos, também, pacotinhos com balas e Bis para distribuir a eles.
Pronto. Eles foram chegando. Um por um, entravam pela porta, vinham até nós, apertavam nossas mãos e nos desejavam boa-tarde. Primeiro encanto! Educados, simpáticos, sorridentes, bonitos!!!! Fiquei olhando, reparando mesmo cada um. Quanto menino bonito! E estavam ali, sendo privados de sua liberdade; por quê?
A tarde correu cada minuto mais animada, alegre, com histórias encantando tanto aqueles adolescentes quanto nos encantando com esse envolvimento. Encantou-me o gesto de cumprimento deles, a educação aprendida ali, a forma como se sentaram nas toalhas e manusearam os livros e os bichinhos de pelúcia espalhados para eles. Encantou-nos a forma como se deliciaram com os doces que ganharam. “Nó, tia! Tem um tempão que não chupo bala!” Escutei de um logo na entrada quando entreguei seu pacotinho. Encantei-me tanto, que a história de Malasartes foi contada com uma tranquilidade e firmeza que até versos com rima eu criava quando não me lembrava dos constantes no livro.
Terminamos nossa tarde, carregando para casa uma bagagem imensa. No caminho para casa, ainda vestida de palhaço, não contive, chorei, chorei muito, sem saber ao certo qual sentimento me tomava no momento. Era simplesmente um misto de sensações diversas que enchiam meu ser. Angústia, tristeza, alegria, gratidão a Deus por ter me dado a chance de vivenciar essa experiência, vontade de mais, de fazer muito mais por aqueles meninos grandes, que perderam sua infância em algum momento, por motivos diversos, alheios à sua vontade, talvez.
Seus olhares me surpreenderam, seus gestos me encantaram, os abraços recebidos, os agradecimentos ao final e o pedido insistente para voltarmos no próximo mês com mais histórias. Se valeu a pena? Pergunte-me. Quero mais. Respondo com a mais absoluta certeza!

sábado, 18 de abril de 2015

Uma xicrinha de açúcar

Minha mãe me ensinou que, se eu não tiver os ingredientes para fazer uma receita, seja um bolo ou um angu, tenho que deixar de fazer, ou mudar a receita. Vou mudar um pouco esse ensinamento, se faltar só um ingrediente, posso, sim, ir à vizinha com minha xícara e pedir um pouquinho do que falta.
Já fui algumas vezes a alguma vizinha pedir um ingrediente, um só, o que faltou para minha receita. Chegando com minha xicrinha, bati à porta e, ao ser atendida, fui tão bem recebida que me senti em casa para voltar mais vezes (risos)!
Já aconteceu de, ao fazer o pedido à vizinha, ser recebida por olhos marejados de lágrimas recentes, olhares carentes de um sorriso ou um conselho, um carinho de alguém próximo. O que não estava programado, nada planejado; foi o acaso?
Seria, talvez, essa xicrinha, um motivo de contato mais próximo, uma desculpa para sentar e conversar, ouvir e ser ouvida, acolher e ser acolhida. Essa xícara consoladora, que serviria para completar uma receita, transforma-se em uma forma de união e troca de palavras de carinho.
Uma xicrinha de açúcar, de fubá, de calor, de amor. É o que podemos levar ao próximo para que tenhamos esse contato mais íntimo com quem convivemos e às vezes nem vemos na correria do dia a dia.
Portanto, vizinhas minhas, não se importem de bater à minha porta quando precisarem, pois não vou pensar duas vezes quando estiver faltando um ingrediente ou um carinho na minha receita de bem viver!